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Comercial para advocacia

O follow-up de 3 toques para escritórios de advocacia

26 de julho de 2026 · por Ariel Tachini

A proposta foi enviada numa quinta às 18h. A pessoa visualizou. Não respondeu.

Na segunda seguinte o advogado pensa em cobrar, acha que fica mal, e não manda nada. Duas semanas depois aquele contato já saiu da cabeça de todo mundo.

Essa é, com folga, a maior fonte de receita perdida em escritório pequeno. E é a mais barata de recuperar, porque a pessoa já sabe quem você é e já contou o problema dela.

Por que o cliente some depois da proposta?

Na maioria das vezes, não é recusa. É interrupção.

Ela leu a mensagem no ônibus e pensou em responder depois. Quis conversar com o cônjuge antes. Esperava juntar um documento. Ficou insegura com o valor e não soube como dizer isso. Ou simplesmente esqueceu, porque o problema dela não é o único da vida dela.

Silêncio não é “não”. Silêncio é ausência de resposta — e a única forma de transformar ausência em informação é perguntar.

Há também um fator que o escritório não controla: quem procura advogado normalmente falou com mais de um. Se você não retoma e o outro retoma, a decisão se resolve sozinha.

Retomar contato fere as regras da OAB?

Não. Retomar conversa com quem procurou o escritório é continuidade de atendimento, não captação.

O Provimento 205/2021 veda a captação ativa — abordar pessoa que não solicitou — além de promessa de resultado e divulgação de honorários como atrativo. Nenhuma dessas hipóteses se aplica a quem enviou mensagem por vontade própria e recebeu uma proposta que pediu.

O cuidado está no tom e no conteúdo: sem pressão artificial, sem prazo inventado, sem desconto anunciado, sem garantia de desfecho. Retomar com cortesia é atendimento. Mais sobre os limites do Provimento aqui.

Quando fazer cada toque?

Três retomadas, espaçadas. O intervalo importa tanto quanto o texto.

Quando Objetivo
Toque 1 2 dias depois Verificar recebimento e abrir espaço para dúvida
Toque 2 5 a 7 dias depois Agregar algo útil, não cobrar
Toque 3 12 a 15 dias depois Encerrar com elegância e liberar a decisão

Três é o número que equilibra recuperação e desgaste. Menos que isso desiste cedo demais; mais que isso vira perseguição — e o custo de parecer insistente com um advogado é alto, porque a confiança é o produto.

O que escrever em cada toque?

Toque 1 — dois dias depois

Curto, sem cobrança, com uma pergunta que pode ser respondida em uma linha.

“Bom dia, [nome]. Passando para confirmar se a proposta chegou certinho. Ficou alguma dúvida sobre como funcionaria o processo?”

O objetivo não é fechar. É reabrir o canal. A pergunta precisa ser fácil de responder — pergunta difícil produz silêncio.

Toque 2 — cinco a sete dias depois

Aqui o erro comum é repetir a cobrança com outras palavras. O toque 2 funciona quando entrega algo, não quando pede algo.

“[Nome], lembrei do seu caso hoje. Vi uma situação parecida em que o prazo para pedir a revisão fazia diferença no valor retroativo. Se quiser, te explico em cinco minutos por telefone — sem compromisso.”

Você deu contexto novo e ofereceu uma via de conversa mais fácil que texto. Muita gente não responde por escrito e responde em ligação.

Toque 3 — doze a quinze dias depois

O toque que mais funciona é justamente o que encerra.

“[Nome], imagino que você tenha resolvido de outra forma ou que o momento não seja esse — e está tudo certo. Vou parar de te escrever para não incomodar. Se precisar em outro momento, é só me chamar que eu retomo de onde paramos.”

Isso costuma gerar mais respostas que os dois anteriores somados. Não é técnica de pressão: é retirar a obrigação social de responder. Quem estava adiando por constrangimento se sente liberado — e frequentemente responde que ainda tem interesse.

O que não fazer

Não mandar “e aí, pensou?” Devolve o peso da conversa para quem já está sem energia para ela.

Não criar urgência falsa. “Só consigo esse valor até sexta” é mercantilização e, com advogado, também é um problema ético.

Não desaparecer depois do toque 3. Quem não fechou agora pode fechar em seis meses. Se o contato está registrado, ele volta a fazer sentido quando a situação dele mudar.

Não deixar o follow-up na memória. Retomada que depende de alguém lembrar não acontece. Precisa estar registrada com data em algum lugar — é uma das razões pelas quais planilha não sustenta.

Quem faz o follow-up?

Não precisa ser o advogado. Na maioria dos escritórios pequenos, o toque 1 e o toque 3 funcionam bem na mão da secretária ou de quem faz o primeiro atendimento, desde que com roteiro. O toque 2, que agrega conteúdo técnico, costuma pedir o advogado.

O que não funciona é depender de o dono lembrar entre uma audiência e outra.

O ponto

Follow-up não é técnica de vendedor. É o reconhecimento de que a pessoa que procurou você está lidando com um problema e não tem obrigação nenhuma de gerenciar a conversa.

Quem conduz é quem oferece o serviço. Deixar o silêncio decidir é escolher perder por omissão — e depois concluir que o mercado está difícil.

O follow-up é a etapa 6 do funil comercial. O caminho completo está aqui.

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